O que é o Erin
Uma plataforma de trabalho onde parte do time é de agentes de IA. Pessoas preparam e decidem, agentes executam, e cada decisão fica registrada do requisito à entrega.
Pense num quadro de tarefas que você já conhece, com uma diferença: você pode atribuir uma task a uma pessoa ou a um agente, do mesmo jeito. O agente faz o trabalho, um revisor independente julga, e a entrega para num ponto de decisão humana antes de ser aceita. Tudo o que acontece vira um registro que ninguém reescreve.
O Erin se organiza em três camadas: Estrutura (org, times, pessoas e agentes), Trabalho (o quadro) e Execução (o que roda quando uma task cai num agente).
O que dá para fazer
O Erin não é um assistente de chat. Você delega uma unidade de trabalho inteira, com contrato e critério de aceite, e recebe de volta uma entrega com prova. Estes são os recortes que os times rodam hoje.
Levantamento com fonte citada
"Quais os prazos de retenção por categoria de dado sob a LGPD?" O agente consulta a KB do domínio e cita documento por id e hash. A resposta vem com a procedência anexada, não com a memória do modelo.
Quebrar um épico em trabalho executável
Você descreve o objetivo. O agente propõe a decomposição em histórias e tasks, e o sistema casa o item contra o acervo para apontar quais KBs cobrem o assunto e onde falta conhecimento. Sua aprovação materializa os filhos.
Implementar contra uma Spec aprovada
Com o contrato fechado, o executor produz o artefato e um validador julga em contexto fresco, sem ver a conversa do executor. Se reprovar, o parecer vira orientação da tentativa seguinte.
Segunda opinião que não aprova
Um revisor mede a entrega contra os critérios de aceite e reporta. Ele nunca decide. A aprovação continua sendo o seu clique, com o parecer do lado.
Construir a KB do seu domínio
O que a empresa sabe e não está escrito em lugar nenhum vira KB consultável, versionada e com frescor. Cada consulta futura fica registrada, e é essa procedência que torna a entrega auditável. O agente melhora pelos golden cases colhidos das suas decisões de gate.
Turno da Fábrica
Trabalho agendado executa fora do horário comercial sob os mesmos gates e os mesmos tetos de custo. De manhã você abre a fila com o que precisa de decisão, não com o que rodou.
Uma volta completa, do pedido ao caso dourado
O exemplo abaixo é o formato real de uma volta do Volante. Repare em quem age em cada passo: quando é você, quando é o agente, e o que sobra registrado.
| Passo | Quem age | O que acontece | Elo na cadeia |
|---|---|---|---|
| Pedido | Você | Cria o épico "Adequar retenção de dados à LGPD". | sem elo: o primeiro nasce da primeira ação real |
| Discovery | Agente | Propõe 4 histórias. O sistema casa o item contra o acervo, aponta que existe uma KB de compliance e sinaliza uma lacuna de conhecimento em expurgo. | kb.suggested |
| Aprovação | Você | Aprova a decomposição. Os filhos são materializados como trabalho real. | gate.decided |
| Conhecimento | Agente | Autora os documentos que faltavam, com fonte citada e verificada. | kb.document_ingested |
| Refino | Agente | Consulta a KB e escreve a Spec da primeira task, ancorada nos documentos que leu. | kb.consulted |
| Contrato | Você | Aprova a Spec, respondendo as perguntas bloqueantes da carta da KB. | spec.approved |
| Execução | Agente | Atribuir a task ao agente dispara o motor. Executor produz, validador julga em contexto fresco. | agent.executed |
| Veredito | Você | A entrega espera a sua decisão, com a saída, o parecer e a carta da KB do lado. | gate.decided |
| Aprendizado | Você | Sua decisão vira caso dourado, colhido da cadeia com um clique. É o que mede a próxima versão do agente. | golden_case.harvested |
Do zero à primeira entrega
O caminho que todo time percorre. Cada passo é uma tela do produto.
- Monte a casa.No primeiro acesso, crie o fundador e siga o assistente que monta Org, Workspace, Time e Projeto.
- Prepare o time.Adicione pessoas com seus papéis e conheça os agentes nativos: Planejador, Pesquisador, Executor e Revisor.
- Dê conhecimento.Crie ou vincule uma KB de domínio. É o que o agente consulta antes de agir, e cada consulta fica registrada.
- Crie e refine o trabalho.Épico, história, task. O agente de refino lê a KB e propõe a Spec (o contrato); você aprova no gate.
- Atribua a um agente.Atribuir é o gatilho de execução. O executor faz, o validador julga em contexto fresco, o loop corrige se preciso.
- Decida no gate.A entrega espera o seu veredito, com a saída e a prova ao lado. Você aprova ou devolve com orientação.
- Escale com o Turno da Fábrica.Quando confiar, monte lotes que rodam na janela noturna, com teto de custo. De manhã, os gates esperam por você.
Estrutura e papéis
A hierarquia organiza quem trabalha com o quê: Org contém Workspaces, que contêm Times, que têm Projetos. Pessoas e agentes são membros de um time.
Papéis definem o que cada pessoa pode fazer num workspace. Há presets prontos (Admin, Gestor, Aprovador, Executor, Leitor) e você pode criar os seus. Um papel em uso não some sem antes realocar quem o tem. A permissão de aprovar gates (gate.approve) é o que separa quem decide de quem só acompanha.
O trabalho no quadro
O trabalho vive numa hierarquia: épico, história, task e subtask. Apenas task e subtask são executáveis por um agente; épico e história são contêineres que organizam.
Uma task passa por estados bem definidos: rascunho, pronta, na fila, executando, suspensa, bloqueada por gate e concluída ou falhou. Só transições permitidas acontecem, e mudar de estado no meio da execução é barrado.
Discovery, refino e a Spec
Há dois jeitos de amadurecer o trabalho até ele estar pronto para executar.
Discovery (decompor)
Um épico grande pode ser atribuído a um agente de discovery, que propõe uma árvore de work items. Você revisa no gate de decomposição, edita se quiser, e ao aprovar o sistema materializa os filhos. Prioridade, dependências e critérios propostos são preservados.
Refino (produzir a Spec)
A Spec é o contrato da task concreta: escopo, contratos de saída e critérios de aceite. Um agente de refino consulta a KB e redige a Spec ancorada no domínio. Você aprova no gate. Spec boa é execução confiável: é a tarefa mais importante antes de qualquer agente rodar.
Conhecimento (KB)
O acervo de domínio que o agente consulta antes de agir. É o fosso do produto.
Uma KB é um corpo de documentos estruturados (conceitos, padrões, referências) sobre uma tecnologia ou domínio. KBs nativas são curadas pela casa e compartilhadas; KBs do workspace são suas. Um agente só enxerga as KBs visíveis ao seu tenant.
- Consulta real. Quando o agente consulta a KB, fica registrado qual documento citou, com hash e relevância. É a prova de qual conhecimento embasou a entrega.
- Autoria assistida. Um agente pode redigir os documentos de uma KB a partir de fontes verificáveis, com citação e verificação.
- Publicação e frescor. Uma versão de KB é publicada por aprovação humana e vira um retrato imutável. Conteúdo que envelhece é marcado como desatualizado e barra a publicação até ser revisto.
Agentes
Agentes são membros do time que executam tasks de forma autônoma, sob as suas regras.
Há quatro funções nativas. Cada agente declara comportamento, limites, condições de parada e contrato de saída.
Planejador
Decompõe e organiza o trabalho em uma árvore executável.
Pesquisador
Consulta o conhecimento e produz material fundamentado, com fontes.
Executor
Faz a task contra a Spec aprovada, usando as ferramentas e KBs vinculadas.
Revisor
Julga a entrega em contexto fresco. Não pode usar o mesmo modelo de um produtor.
Imutabilidade, versões e promoção
- Nativo é imutável. Para adaptar um agente nativo, você o forka. O original nunca muda.
- Toda mudança cria uma versão. Versão e modelo entram na cadeia. Você vê o histórico e o desempenho de cada versão.
- Promoção com evidência. Uma versão candidata não é despachável. Ela sobe a promovida quando prova valor nos evals e no sinal do gate.
- Composição. A definição de um agente pode declarar os subagentes que ele orquestra (por exemplo, executor e revisor). Chamar o agente já dispara essa composição, de forma determinística.
Provedores e BYOK
Você usa o seu próprio provedor de IA (BYOK, bring your own key). Cada agente define provedor e modelo, com uma cadeia de fallback opcional para falhas de provider.
- Várias conexões (chaves) por provedor, com rótulo amigável. Suporte a Anthropic, OpenAI, Gemini, Groq, DeepSeek, Moonshot, OpenRouter e mais.
- A chave fica no cofre. A interface só recebe uma referência segura, nunca o segredo.
- O custo de inferência fica na sua conta, transparente por agente, modelo e task.
O gatilho único
Existe uma única forma de disparar execução: atribuir uma task a um agente. Não há execução por acaso, por agendamento oculto ou por um agente decidindo rodar sozinho. Isso mantém a operação previsível e auditável.
O motor de execução
Quando uma task cai num agente, um motor determinístico (não um LLM decidindo o control-flow) coordena o ciclo:
- Executor produz.O agente atribuído faz o trabalho contra a Spec, consultando as KBs vinculadas.
- Validador julga.Um revisor avalia a saída em contexto fresco, separado de quem produziu. Nunca o executor julgando a si mesmo.
- Retry corretivo.Se o revisor recusa, o parecer vira o feedback da próxima tentativa. O padrão é 2 tentativas, configurável.
- Teto de custo.Todo run tem um teto obrigatório. O loop gasta as tentativas até aprovar, estourar o teto ou esgotá-las.
- Abre o gate.Aprovado internamente, a entrega para no gate e espera a decisão humana.
Gates e decisão
Um gate é um ponto de decisão humana. Abrir um gate pode ser ação de agente ou do sistema; decidir sempre é de um humano com permissão. O agente nunca aprova.
- Evidence Summary. No gate, você vê o resumo verificável do que aconteceu: a saída, a nota do revisor, o custo, as KBs consultadas e a integridade da cadeia. A mesma prova que você baixaria no dossiê completo.
- Maker-checker. Políticas de aprovação por N-de-M e separação de funções podem ser exigidas por workspace. Uma violação vira um registro.
- Efeitos por tipo. Aprovar a Spec deixa a task pronta; aprovar a decomposição materializa os filhos; aprovar a entrega conclui a task. Recusar devolve com orientação para a próxima atribuição.
Turno da Fábrica
Execução em lote e autônoma, para quando você já confia no elenco.
Em vez de atribuir uma task por vez, monte um lote: escolha o projeto, marque as tasks prontas, escolha o agente executor e despache. A execução respeita a janela noturna e os limites que você configurou.
| Controle | O que faz |
|---|---|
| Janela noturna | Define quando a fábrica pode rodar (por workspace e fuso). Fora dela, as tasks esperam na fila. |
| Orçamento do dia | Teto de custo agregado por dia. Estourou, o turno pausa até amanhã. |
| Auto-pausa | Se a taxa de erro do dia passa de um limite, o workspace pausa sozinho. Retomar é humano. |
| Re-enfileiramento | Um item que falha por interrupção pode voltar à fila, com um teto de tentativas vitalício. |
| Digest matinal | Um resumo do que rodou de madrugada, com webhook assinado opcional. |
O Volante
O ciclo que faz você confiar mais a cada volta.
Construir fácil, executar bem, decidir com evidência, aprender com golden cases e evals, promover a versão que prova valor, e então confiar e delegar mais. A métrica-norte é a aprovação de primeira: a fração de entregas aprovadas no gate sem retry nem recusa. É ela que mede confiança para delegar em escala.
- Golden cases nascem de decisões de gate boas, colhidas da cadeia. Viram a base de avaliação.
- Evals rodam contra os golden cases. São fail-closed: sem evidência confiável, não inflam a nota.
- Promoção exige evidência. Regressão bloqueia; um override exige justificativa registrada.
A cadeia de auditoria
O substrato que torna o volante honesto.
Toda ação, de humano ou de agente, vira um elo num registro append-only. Os elos são encadeados por hash e a ordem é garantida, então nada é reescrito depois. Golden cases, evals, custo e o scorecard de confiança são todos derivados dela.
- Reproduzível. "Por que decidimos assim?" se responde consultando a cadeia, não escavando históricos soltos.
- Exportável. Você pode exportar a cadeia verificável e um Evidence Pack selado por hash, com spec, gates, atores, versões, refs de KB e custo.
- Íntegra. O servidor recomputa o hash-chain a qualquer momento para provar que nada foi adulterado.
Segurança
- Isolamento por tenant. Um workspace nunca enxerga dados de outro. As tabelas sensíveis têm isolamento em duas camadas.
- Segredos no cofre. A chave BYOK fica cifrada num cofre, nunca em log, banco ou texto puro.
- Registro imutável. A cadeia é protegida contra alteração e remoção no nível do banco, não só na aplicação.
- Escaneamento antes de gravar. O conteúdo é varrido contra vazamento de segredo e PII antes de virar um elo.
Guia: construir um agente
Um agente não é só nome, prompt e modelo. É um contrato de comportamento versionado.
Para criar, comece de um nativo e forke, ou crie do zero. Cada versão declara:
| Campo | O que define |
|---|---|
| Função | Planejador, Pesquisador, Executor ou Revisor. Vem da definição do agente e governa como ele participa da composição. |
| Prompt de sistema | O papel e o método. Nos fluxos que aterram na KB, se vazio, o sistema injeta um prompt que manda consultar a KB antes de agir. |
| Provedor e modelo | A conexão (chave) e o modelo. Comece barato; suba o forte só onde precisa. |
| Fallback | Provedor/modelo alternativo por invocação, para falha de provider. Não é escalada de modelo no retry. |
| Ferramentas e conectores | O que o agente pode chamar (busca na KB, conectores HTTP/MCP com políticas de menor privilégio). |
| KBs vinculadas | O conhecimento que ele consulta. Sem KB, ele só tem a memória do modelo. |
| Juiz | O perfil de avaliação do revisor. O revisor não pode usar o mesmo modelo de um produtor. |
| Composição | Os subagentes que ele orquestra (ex.: executor + revisor). Declarada e determinística. |
| AgentSpec | Limites, condições de parada, escalonamento, quality gate e o contrato de saída esperado. |
Guia: montar uma KB
Uma KB boa é o que separa um agente que acerta de um que chuta. Este guia monta uma do zero, com o conteúdo real de ponta a ponta.
- Crie a KB.Dê um slug, a tecnologia e o domínio. Native (compartilhada pela casa, somente leitura) ou do seu workspace.
- Adicione documentos.Os tipos de conteúdo são
concept,pattern,referenceespec. Umindexe umquick_referencedão navegação. - Escreva a carta.Boundaries, perguntas de discovery e fronteiras de escopo. É o que aparece para você na hora de decidir.
- Autore com fonte.Para autoria assistida, o agente precisa de um conector de fonte autorizado. O corpo é citado e verificado, nada de memória do modelo solta.
- Passe os portões de prontidão.Estrutura mínima (index mais concept mais pattern) e cobertura suficiente. A KB fica consultável mesmo incompleta, mas só é publicável quando pronta.
- Publique.Uma versão é publicada por aprovação humana e vira um retrato imutável. Documento desatualizado barra a publicação.
- Vincule ao agente.A KB só vira consulta real quando está no binding da versão do agente e a ferramenta de busca está ligada.
Exemplo: a KB "LGPD: Retenção e Expurgo"
Vamos montar uma KB de compliance que um agente de pesquisa vai consultar antes de escrever qualquer Spec sobre dados pessoais.
1. A anatomia. Uma KB é uma árvore de markdown. O diretório define o tipo do documento, então a estrutura já é a taxonomia:
kb_lgpd_retencao/ index.md # navegação: o mapa da KB quick-reference.md # navegação: a cola de consulta rápida concepts/ direito-esquecimento.md # concept: o que é e por que importa patterns/ expurgo-com-trilha.md # pattern: como se faz na prática reference/ bases-legais-retencao.md # reference: a tabela que se consulta
2. Um documento de verdade. Cada arquivo abre com um cabeçalho que o sistema lê. O Purpose pesa o dobro do corpo no ranqueamento da busca, atrás só do título, então vale escrevê-lo com cuidado:
# Bases legais de retenção por tipo de dado
> **Purpose**: Quanto tempo cada categoria de dado pode ser retida e sob que base legal
> **Confidence**: 0.92
> **Fonte**: Lei 13.709/2018, arts. 7 e 16
## Overview
Retenção segue a finalidade e a base legal. Dados fiscais e contábeis
seguem prazos setoriais próprios. Dados de marketing caem com a
revogação do consentimento.
## Regra prática
| Categoria | Prazo mínimo | Base legal |
|-------------|--------------|-------------------------------|
| Fiscal | 5 anos | obrigação legal (art. 7, II) |
| Cadastral | vigência | execução de contrato |
| Marketing | nenhum | consentimento (revogável) |
3. A carta. É a parte que a maioria pula e é a que mais rende. A carta não é um guardrail que trava a execução: ela é o contexto que aparece para você na hora de aprovar, e o que obriga o refino a fechar as pontas antes de propor um contrato.
| Peça | Exemplo real | Efeito |
|---|---|---|
Boundaryblock |
"Dados fiscais têm retenção mínima legal. Apagamento antes do prazo é bloqueado." | Aparece em destaque no gate. É a regra que você não quer descobrir depois do incidente. |
Boundarywarn |
"Todo expurgo precisa registrar a base legal no elo da cadeia." | Aparece como alerta, sem travar a decisão. |
Perguntablocking |
base_legal: "Qual base legal sustenta a retenção de cada categoria?" |
A aprovação da Spec não abre enquanto essa pergunta não for respondida. |
| Pergunta comum |
titular_solicitou: "Há pedido de eliminação do titular em aberto?" |
Entra como contexto da decisão, sem bloquear. |
| Fronteira de escopo |
"Transferência internacional de dados" aponta para gdpr_transferencias |
Quando o assunto sai do domínio, o sistema redireciona em vez de deixar o agente inventar. |
4. A prova de que funcionou. Quando o agente consulta a KB durante um trabalho, nasce um elo. Ele guarda a pergunta e a referência exata, nunca o corpo do documento:
{
"event_type": "kb.consulted",
"payload": {
"query": "prazo de retencao dado fiscal expurgo",
"refs": [{
"kb_slug": "lgpd_retencao",
"doc_slug": "bases-legais-retencao",
"kind": "reference",
"content_hash": "9f2c...", // reconstrói o que ele leu
"snapshot": 3, // a versão publicada
"score": 0.61,
"confidence": 0.92
}]
}
}
Boas práticas
- Capriche no Purpose de cada documento: ele pesa o dobro do corpo na busca e é o que decide se o agente acha o que precisa.
- Prefira fontes verificáveis a texto de memória. Citação com hash é a prova.
- Escreva a carta junto com os documentos. Uma pergunta bloqueante bem colocada evita uma Spec errada inteira.
- Mantenha a KB fresca: reveja o que envelhece antes de publicar.
Evite
- Vincular a KB e esquecer de ligar a ferramenta de busca: o binding fica morto e a falha é silenciosa.
- Uma KB gigante e genérica. Prefira domínios focados e reutilizáveis.
- Carta vazia. Sem boundary e sem pergunta, o gate vira carimbo.
- Reaproveitar uma KB de ingestão num fluxo de pesquisa sem revisar o encaixe.
Guia: escrever uma boa Spec
A Spec é o contrato. Spec bem definida é loop confiável. Spec vaga é retrabalho garantido.
Uma Spec forte tem três partes, todas verificáveis:
- Escopo: o que está dentro e o que fica de fora. Ambiguidade aqui vira recusa no gate.
- Contratos de saída: o formato e as garantias do resultado (o que a entrega deve conter e como será conferida).
- Critérios de aceite: uma lista objetiva que o revisor usa para julgar. Se um humano não consegue dizer "passou" ou "não passou" olhando o critério, ele está fraco.
O mesmo pedido, escrito de dois jeitos
Spec fraca
- "Implementar rotina de expurgo de dados antigos conforme a LGPD."
- Não diz quais categorias entram.
- Não diz o que acontece com dado que tem retenção obrigatória.
- Não define o formato da saída nem como conferir.
- O revisor não tem como reprovar sem opinar, então tudo vira discussão no gate.
Spec forte
- Escopo: categorias cadastral e marketing. Dados fiscais ficam de fora, retenção legal de 5 anos.
- Contrato: script idempotente mais relatório por categoria com contagem, base legal e data de corte.
- AC 1: nenhum registro com base legal de obrigação legal vigente é apagado.
- AC 2: cada expurgo grava a base legal no elo da cadeia.
- AC 3: rodar duas vezes produz o mesmo resultado.
- AC 4: existe teste que falha se AC 1 for violado.
Deixe o refino consultar a KB e ancorar cada parte da Spec no domínio. Onde a KB impõe uma restrição que bloqueia, torne-a explícita no contrato: repare que o AC 1 do exemplo acima é a boundary da KB de LGPD virando critério verificável. Produzir a melhor Spec possível é a tarefa central do agente de refino.
Guia: configurar o Turno da Fábrica
Configure em Configurações, na aba Turno da Fábrica, por workspace:
# exemplo de política noturna Janela 22:00 → 06:00 # fuso do workspace; pode cruzar a meia-noite Orçamento US$ 20 / dia # estourou, pausa até amanhã Auto-pausa ≥ 30% de erro # amostra mínima antes de agir Re-enfileirar 1x # teto de tentativas por task Digest webhook assinado # resumo matinal do que rodou Concorrência configurável # quantas tasks em paralelo
Depois, monte o lote em /lote: escolha o projeto, marque as tasks prontas, o agente executor e um "não antes de" opcional. Cada task mantém seu próprio registro de atribuição; nada no lote aprova entrega.
Guia: políticas de gate
O gate é sempre humano, mas você define o rigor por workspace.
- Maker-checker. Exija N aprovadores distintos e separação de funções (quem executou não aprova). Uma violação vira registro.
- Preflight de atribuição. Antes do gatilho, o sistema antecipa problemas (Spec exigida, KB, conexão/chave, provedor/modelo, juiz, composição). Avisos não bloqueiam por padrão.
- Bloqueio por política. O workspace pode promover certos avisos a bloqueio duro. Por exemplo, tornar "rodar sem KB" um impeditivo de atribuição.
Boas práticas
Faça
- Invista na Spec. É o maior alavancador de aprovação de primeira.
- Comece barato. Modelo forte só onde o sinal mostrar que precisa.
- Deixe o revisor independente. Modelo diferente do produtor, sempre.
- Promova por evidência. Suba a versão que os evals e o gate provam.
- Ligue a Fábrica aos poucos. Janela curta e orçamento baixo primeiro.
Evite
- Retry alto fixo. O padrão é 2; corretivo, não cego.
- Modelo forte uniforme. Cara e desnecessário na maioria das tasks.
- Agente como coordenador. Quem coordena é código, não um LLM em runtime.
- Executor julgando a si mesmo. Sempre um revisor em contexto fresco.
- Rodar sem teto de custo. Todo run tem um limite obrigatório.
Referência técnica
Estados da task e transições
Os estados de execução seguem uma máquina fechada por allow-list. As transições de planejamento (rascunho e pronta) têm autoridade própria e não passam por ela.
rascunho → na fila # atribuição (gatilho único) pronta → na fila # atribuição pós-refino na fila → executando # o worker reivindica executando→ bloqueada por gate # abre o gate bloqueada → concluída # humano aprova bloqueada → pronta / na fila # recusa ou reatribuição qualquer terminal → na fila # re-disparo é re-atribuir
Tipos de elo na cadeia
Cada ação vira um elo tipado. Os principais:
task.assigned,task.started: o gatilho e o início.kb.consulted: a consulta à KB, com o documento citado, hash e relevância.agent.model_invoked: uma invocação de modelo, com custo re-derivado pelo servidor.agent.tool_called: uma ferramenta chamada, com argumentos e resultado.agent.executed,agent.validated: a saída e o parecer do revisor.gate.opened,gate.decided: a abertura e a decisão humana.work_items.materialized: os filhos criados ao aprovar uma decomposição.
Stack
Backend em Python com FastAPI e PostgreSQL. Orquestração por fila no Postgres e worker assíncrono, sem Temporal ou Celery no v1. Agentes por harness próprio com tool-calling nativo do provedor, sem frameworks de orquestração como espinha. Segredos em cofre. A cadeia é protegida por gatilhos de banco, defesa em profundidade além da aplicação.
Os invariantes
As regras que o sistema garante. Cada uma tem um teste que falha se for violada.
| Regra | O que garante |
|---|---|
| 1 | Atribuir uma task a um agente é o único gatilho de execução. |
| 2 | Toda ação de qualquer ator gera um elo append-only, imutável. |
| 3 | Agente nunca aprova. A decisão do gate é sempre humana. |
| 4 | Agente nativo é imutável. Editar significa forkar. |
| 5 | Toda mudança de agente cria nova versão; versão e modelo entram na cadeia. |
| 6 | A chave do cliente fica no cofre, nunca em claro. |
| 7 | O sistema nunca decide arquitetura sozinho. O agente sugere, o humano decide. |
Glossário
Workspace
O espaço de trabalho de um time, com seus projetos, agentes, KBs e políticas.
KB
Base de conhecimento reutilizável de domínio, que o agente consulta antes de agir.
Spec
O contrato de uma task: escopo, contratos de saída e critérios de aceite.
Gate
Ponto de decisão humana. Aprovar ou devolver uma entrega, spec ou decomposição.
Elo
Um registro append-only de uma ação na cadeia de auditoria.
Aprovação de primeira
A métrica-norte: entregas aprovadas no gate sem retry nem recusa.
Turno da Fábrica
Execução em lote na janela noturna, com teto de custo e auto-pausa.
Volante
O ciclo de aprender e confiar por evidência, versão a versão.
Perguntas frequentes
O agente pode aprovar sozinho uma entrega?
Não. Aprovar um gate é sempre uma decisão humana, de alguém com permissão. É uma regra garantida por teste, não uma configuração.
Preciso trocar minha ferramenta de trabalho?
Não. O Erin é um quadro de tarefas com agentes no time. Quem já usou um Jira ou ClickUp se localiza rápido; a diferença é que parte do time é de IA.
De quem é o custo da IA?
Seu. Você usa seu próprio provedor (BYOK); a chave fica protegida e o custo de inferência é seu, transparente por agente e modelo.
Como sei se posso confiar mais num agente?
Pela aprovação de primeira, versão a versão, e pelos evals contra golden cases. A confiança sobe com evidência, não com fé.
Como funciona a execução de madrugada?
Você monta um lote de dia; a fábrica roda na janela noturna do workspace, com teto de custo e auto-pausa. De manhã, as entregas esperam sua decisão no gate.
Consigo provar como uma decisão foi tomada?
Sim. Cada passo fica na cadeia. Você exporta um Evidence Pack selado por hash, com a spec, os gates, os atores, as versões e o custo.